segunda-feira, 14 de maio de 2007

Quero ser excomungado!

Os bispos do México decidiram excomungar todo aquele que se declarar a favor da legalização do aborto. Muito bem, eu sou a favor. Como faço para ser excomungado? Tenho que enviar um formulário em três vias, assinado e com reconhecimento de firma para o Vaticano ou dá para fazer tudo pela Internet? A quem me dirijo? Tem que ser um pedido formal ao bispo de minha cidade ou pode ser de boca, só comunicar ao pároco do meu bairro mesmo?
Na verdade, eu não tive nenhum dolo ao ser batizado, afinal eu era careca, desdentado, com 30 centímetros de altura e não tinha a menor idéia do que estavam me fazendo, caí nas estatísticas que me somam ao contingente de fiéis do maior país católico do mundo totalmente contra a minha vontade. Aliás, o Estado cede o meu dinheiro dos impostos para obras da Igreja, muitas as quais eu não concordo, baseado nessas estatísticas.
Faz tempo que eu não quero que digam por aí que eu pertenço ao grupo que promovia genocídios de indígenas e mandava velhinhas para fogueiras. Pô, eu acredito na Evolução das Espécies e sempre acreditei que a terra girava em torno do sol, coisa que os católicos só admitiram oficialmente em 1992 com a absolvição de Galileu por João Paulo II. Não, quero não. Quero ser excomungado. Onde eu assino?
Assim como tenho uma carteirinha de batismo, será que daria para descolar uma carteirinha de excomunhão?
Isso traria também muitas vantagens, dá para imaginar? Quando viessem aquelas velhinhas carolas tentando me catequizar, eu simplesmente mostraria a minha carteirinha num enfático: Vade Retro! Sou excomungado! Rifas para quermesses? Bastaria colocar uma placa de excomungado na minha porta. Nos casamentos, eu iria só para comer, que é a melhor parte, se me convidassem para a igreja, diria não, não posso. Ao fazer turismo, eu poderia tirar fotos dentro de igrejas e falar alto. Se alguém reclamasse, eu simplesmente mostraria minha carteirinha: “Sou excomungado, eu posso!“
A lei canônica tá aí. Agora quero ver como os bispos do México pretendem colocar ela em prática. De qualquer forma, peço para que me coloquem como primeiro da fila.

7 comentários:

Se hay governo... disse...

Eu também quero! Quero ser a segunda da fila.
A grande pergunta é:
Por que nossos pais nos batizaram?
Prometo não fazer isso com meu futuro filho, até que ele tenha idade, maturidade e inteligência suficiente pra dizer "não!!!"
Hehehehe.

Ariel disse...

Quero ser excomungado tambem!!! como faço??

wrmsp1 disse...

Adorei o texto e quero ser o segundo da fila da excomunhão.

Brincadeiras à parte, acabo de ouvir a notícia de que o arcebispo de Recife e Olinda excomungou os médicos que efetuaram aborto em uma menina de 9 anos, vítima de estupro. A mãe dela também foi excomungada por permitir o aborto.

Que absurdo!

Anônimo disse...

Realmente a igreja são as pessoas, é feita de pessoas, como as empresas e está, portanto, cheia de intelectuais e abestalhados. Sempre, desde seu primórdio, as igrejas vem atrasando o mundo, impedindo opiniões, pensamentos e o desenvolvimentos de muitas áreas tecnológicas.
A fé é ótima, engrandece e acalma o homem, dá esperança e fortalece. Já as religiões não. Parece que, os defensores das religiões, gostam de polêmicas e de brigas - é só pensar nos muçulmanos, talibans, e os escândalos da Igreja católica. Penso que o momento é interessante para se pensar um movimento a favor dos céticos e ateus, da razão e do bom senso.

Anônimo disse...

O MAIS ENGRAÇADO É QUE O ESTUPRADOR NÃO FOI EXCOMUNGADO!!

Anônimo disse...

intiresno muito, obrigado

fabiano frigo disse...

Após nascer, sem poder me defender, também fui batizado por meus pais na igreja católica (a grande prostituta, segundo a Bíblia Sagrada). Depois, sob açoite, fui obrigado a comer um pedaço de casca de sorvete vencido, que chamavam de hóstia. Prezados, para os senhores terem uma ideia, a mulher que me torturou durante anos num negócio chamado catecismo chegou a fazer campanha para arrecadar dinheiro para ajudar Mussolini e o fascismo italiano (antes do Brasil apoiar os aliados). Seu nome era Ada Parisi (SJRPardo/SP).
Também quero ser excomungado e desbatizado. O que devo fazer?
Só não fui vítima daquela "crisma", que a gente é obrigado a fazer depois da comungão porque ameacei meus pais que sairia de casa se continuassem a me obrigar. Pense bem, continuar a frequentar um local que as próprias Sagradas Escrituras já profetizaram como o antro da grande prostituta? (igreja católica.
Honestamente, mesmo não tendo culpa, sinto vergonha deste estigma.

Fabiano de Aquino Frigo