sexta-feira, 26 de março de 2010

Voe Sobre Território

Alguns anos atrás, eu assisti um programa com Paulo Francis no qual ele falava que nos mapas do mundo deveria existir a inscrição F.O.T., “Fly Over Territory” ou “Voe Sobre Território”, já que a maioria dos lugares não vale a pena nem se passar perto.
Com o passar do tempo, depois de viajar um pouco, tanto em turismo convencional, quanto com uma mochila nas costas, tanto de navio pelo interior do Paraguai, quanto em aviões militares da FAB ou sentado em poltrona de classe executiva, depois de morar em vários lugares e dirigir por parte do Cone Sul e América do Norte, criei o meu próprio mapa “V.S.T.”, considerando lugares que conheci ou que gostaria de visitar.
No Brasil, para surpresa de muitos amigos, eu considero todo o litoral área VST. Certa vez, uma amiga argentina me falou: “eu não entendo vocês, brasileiros, pois no meu país, as pessoas vão para praia gastar, pois estão de férias, relaxadas e com dinheiro, portanto lá temos lojas finas e restaurantes caros. Por aqui se come peixe com areia na beira da praia e ninguém reclama...”. Deixei de ir à praia faz tempo: cachorros latindo e fazendo sujeira na areia, montes de vagabundos andando pelas ruas, barulho, música alta, engarrafamentos, esgotos ao céu aberto, comida de má qualidade e cara... não, isso não é prá mim. Exceção feita à Jurerê Internacional que é uma praia limpa e organizada, mas infelizmente tampouco é pro meu bolso. Diga-se de passagem, o restante de Florianópolis é um favelão: de pessoas com bom poder aquisitivo, mas nem por esse fato aquela estrutura sócio-geográfica deixa de ser uma enorme vila-miséria, desorganizada, suja e com altos índices de criminalidade.
Assim, se não quero me incomodar, se não quero ser assaltado, extorquido por policiais, arriscar a vida, ser maltratado, passar por um calor infernal ou um frio congelante, ver pessoas sujas e miseráveis, não ter liberdade de pensamento, quebrar o carro em buracos, pagar caro para dormir mal e comer mal, não ter nada para ver, salvo paisagens (não viajo para ver paisagens, viajo para ver a obra humana: prédios, parques, museus, lojas, infra-estrutura, estradas, e, sobretudo, comida), prefiro simplesmente evitar certos lugares.
Uma outra coisa que falo para a meninada sedenta para estudar e morar no exterior: que optem por países anglo-saxônicos, pois de outra forma, verão apenas paisagens (que lembrem-se, paisagens só trazem alguma coisa de significância para maluco-beleza ou para jornalista do Discovery Channel). Para conhecer uma forma de pensar ocidental diferente da nossa, que valoriza o ser sobre o dever ser, esses países citados são completamente diversos. Quem nunca aprendeu que temos que fazer pelo país muito mais do que o país faz pela gente, será sempre um parasita social e nesse particular, os países da Europa continental são muito parecidos com o Brasil, preocupando-se com teorias, enquanto as obviedades das escolhas práticas nunca são tomadas.
Assim, aqui estão meus mapas V.S.T., as áreas em vermelho, eu aprovo:

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