sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Histórias Bizarras 9 – Deuses, parte 2

Existem muitas questões que já foram respondidas pela evolução do conhecimento e do engenho humano. Ainda que muitos contestem, parece não haver mais dúvidas dentre os mais instruídos da sociedade de que existe uma evolução nas espécies, lenta e constante, em direção ao aperfeiçoamento.
As teorias de Darwin foram observadas por um casal de cientistas durante a década de 90 do século XX, coincidentemente no mesmo local em que Darwin as desenvolveu, ilhas Galápagos. Estudando pássaros que haviam na ilha, observaram que existiam na mesma espécie alguns com bicos curtos, outros com bicos longos. Como naquele ano ocorreu uma seca prolongada nas ilhas, todos os pássaros de bico curto desapareceram, pois apenas os outros conseguiam beber água acumulada no tronco das árvores. Esse estudo, amplamente documentado, provou a verdade na teoria de Darwin.
Para se verificar que o ser humano também evolui, não é preciso ir muito longe. Armaduras antigas, camas e vão de portas nos mostram como as pessoas eram mais baixas há poucos séculos. Ao mesmo tempo, recordes olímpicos são constantemente superados, mostrando um aperfeiçoamento pequeno, porém notório do ser humano.
Dessa maneira, o próprio papa João Paulo II reconheceu que a idéia da evolução das espécies não era contrária aos dogmas católicos, assim como poucos anos antes ele já havia absolvido Galileu, reconhecendo assim que a terra girava em torno ao sol.
Portanto, não existe mais a “teoria” da evolução, pois é fato amplamente comprovado de que as espécies e o ser humano estão evoluindo lenta e constantemente.
Hoje as pessoas preferem acreditar em micróbios e vacinas a urucubacas e rezadeiras, vasculhou-se o espaço exterior à atmosfera e não se encontraram anjos. Cavaram-se poços profundos sem que encontrássemos o inferno, mas mesmo assim, subsiste a idéia de uma inteligência organizadora do cosmos e também de forças malévolas.

Em seu romance “Contato”, o famoso cientista e cético Carl Sagan nos coloca a idéia de que a evolução do pensamento pode inclusive nos levar à conclusão da existência dessa inteligência. O livro fala de um suposto comunicado de seres extraterrestres conosco. No final, os E.T.s nos enviam uma fórmula matemática extremamente complexa, cujo resultado seria o número PI. Conforme o autor, essa seria uma prova que o universo não é aleatório, que as coisas não acontecem simplesmente por acasos e evoluções.
Acontece que existe de fato um número que impregna em toda a natureza e este número intriga a humanidade há pelo menos 2500 anos. É o chamado número áureo. O número áurico representa a proporção da perna maior de um pentagrama com a lateral da face do pentágono em que ele está inscrito, que é a proporção de 1:1,618.
Esta proporção é a relação da falanginha com a falangeta dos nossos dedos. É a relação da falange com a falanginha. E da articulação do pulso com o comprimento do dedo. E do tamanho da mão com o antebraço. Além do corpo humano, as agulhas do pinheiro, a casca do abacaxi e um sem-número de ocorrências na natureza seguem esta proporção.
Se fizermos retângulos com esta proporção e formos inscrevendo retângulos menores dentro de maiores, e finalmente unirmos os vértices destes retângulos, obteremos uma curva exponencial que é a mesma curva existente em conchas, como a de um molusco chamado nautilus.
Fibonatti foi um matemático italiano que descobriu uma seqüência de números no qual o número seguinte é sempre representado pela soma dos dois anteriores: 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, etc. Uma curva formada pela série de Fibonatti segue a proporção áurea.
A proporção áurea é amplamente utilizada nas artes. Templos gregos foram construídos com esta proporção. Artistas como Leonardo daVinci ou Seurat lançaram mão deste recurso. É a proporção da harmonia entre as formas. Testes já foram realizados pedindo para que as pessoas escolhessem dentre retângulos de papelão com diversas proporções o que mais agradasse, sendo que e a maior parte do público preferiu justamente o retângulo com proporções áureas.
A questão é: por quê? Qual é a lógica deste número que nos parece totalmente aleatório? Como compreender que exista um número impregnando toda a natureza sem que exista uma determinação, uma inteligência definindo este número?
Veja-se bem. Este número não é uma constatação matemática, como a relação entre os triângulos, o número PI, o teorema de Pitágoras, etc. Devemos lembrar que toda a nossa teoria matemática, de base decimal, surgiu simplesmente porque temos dez dedos nas mãos e assim nos é mais fácil de fazer cálculos. Tudo aquilo que calculamos é uma abstração que desenvolvemos para se adaptar ao nosso organismo.
Acontece que o número áureo é diferente, não foi uma invenção humana, mas sim está presente em um número significativo de seres vivos. Esta relação matemática parece estar impregnada no cosmos, e mais, é um número relacionado com a vida, pois não se verifica esta relação em seres brutos, em formações cristalinas, por exemplo. Como a proporção áurica é obtida a partir do pentagrama, esse é o motivo porque nas tradições místicas antigas, esta figura representa o ser humano e sua conexão com a natureza.

A vida permanece sendo um mistério. Ainda na década de 50, um cientista provou que é possível reproduzir em laboratório as condições da atmosfera primitiva da terra, gerando aminoácidos que são os elementos químicos que possibilitam o surgimento de vida.
No entanto, mais de meio século depois ainda não conseguimos dar o sopro de vida. Eu, pessoalmente, até acho que isso é possível, alguma empresa ou fundação deveria lançar o desafio na comunidade científica e oferecer um prêmio para aquele pesquisador que conseguisse criar uma bactéria, ou qualquer forma de vida primitiva, a partir de matéria inerte.
A criação de vida artificial mudaria conceitos e traria uma profunda mudança social, principalmente no que se refere a pensamentos filosóficos e religiosos. Enquanto isso não acontece, precisamos admitir que é um grande mistério e que talvez não seja possível. Talvez a vida não esteja ao alcance do conhecimento ou do engenho humano e apenas uma inteligência cósmica pode dar o sopro que torne matéria orgânica em um ser que nasce, cresce e morre.
Mais próximo do nosso atual estado tecnológico, cientistas da Oceania estão tentando fazer o mesmo que aparece naquele filme, “Parque dos Dinossauros”, ou seja reviver uma espécie extinta. Estão tentando reviver um Tigre da Tasmânia, animal extinto a mais de 150 anos, tentando clonar células de animais conservados em formol e usando o ventre de uma canguru para desenvolver o experimento.
Se conseguirem isso, já vão calar muitos grupos de ecologistas. Para que precisamos de leões atacando populações rurais na África ou de tigres, matando gente na Índia, ou ainda de crocodilos devorando cachorros e crianças nos quintais de casas da Flórida? Bastaria exterminar esses animais e, se um dia fizerem alguma falta, clonar embriões e revivê-los para alguma necessidade científica! Será que nós próprios não poderemos brincar de Deus, no futuro?

Ligado à mesma idéia está o fato da consciência não ter se espalhado entre outras espécies animais. Elefantes fazem desenhos com as patas na areia da praia, gorilas promovem guerras de extermínio entre diferentes tribos. Diferentes animais sofrem com a morte de parentes próximos, mas tudo indica que o dom do conhecimento, do pensamento lógico e com o uso de palavras abstratas só pertence aos humanos.
Por quê?
Por que motivo só nós é que comemos do fruto da árvore do conhecimento e roubamos o fogo de Prometeu?
Pesquisadores já conseguiram criar um robô que evolui na sua inteligência, no momento em que escrevo tem a inteligência de uma minhoca. Há poucos anos este robô era tão estúpido quanto uma ameba, portanto está evoluindo muito rapidamente. Será que um dia ele chegará ao nível de um cão? E a inteligência artificial chegará no nível de um ser humano, com todas as suas incertezas e inseguranças? Quem sabe? E quem sabe se não nos superará o próprio criador e chegará a conclusões que nunca nos passaria pela cabeça?

Será, portanto, que existem deuses ou essa concepção é apenas fruto de nossa incapacidade atual em pesquisar assuntos que nos são misteriosos. Se um dia respondermos questões do porquê existe um número áureo, como criar vida ou como gerar consciência, será que nesse dia ainda vamos precisar de um deus?

Um comentário:

kleverson disse...

Luiz,
Excelente texto, mas existe também a tal questão: Por que temos tanta necessidade de nos tornarmos deuses ou tentarmos isso ? Sugiro este artigo:
http://www.dicas-l.com.br/filosofiadigital/filosofiadigital_20070531.php

Abraço,
Cleverson