terça-feira, 6 de novembro de 2007

Vanilla Sky

Quem assistiu ao filme com o Tom Cruise, Vanilla Sky, pelo menos já ouviu falar em sonho lúcido e entenderá do que vou falar.
Há uns dois meses, um amigo me convidou para ir a uma palestra sobre projeciologia. Eu achei um tema curioso e resolvi treinar. Como eu já tinha uma certa experiência com yoga, em menos de uma semana consegui ter o meu primeiro sonho lúcido que qualquer hora conto aqui no blog.
Projeções do corpo e sonhos lúcidos (existe uma diferença) são um processo natural do psiquismo humano. Muitas vezes sonhamos que estamos voando, mas não conseguimos comandar esse vôo. Nas projeções, não só controlamos os nossos desejos como nos dirigimos para onde quisermos ir, vivendo na verdade uma outra realidade paralela.
Falando assim, parece difícil, mas na prática é facílimo, basta dormir com o pensamento voltado para o sonho lúcido que em certas situações ele vem.
O quanto existe de realidade? Ainda tenho as minhas dúvidas, mas os “voadores” (assim se auto-intitulam os projecionistas) juram que esse mundo onírico é verdadeiro. Se encontrarmos uma pessoa que já morreu, essa pessoa está ali de verdade, se olhamos um outro local aquilo está realmente acontecendo e poderemos confirmar os fatos depois de acordados.
Uma coisa que já coloquei por terra com meus precários e incipientes estudos é o mito de que para entrar nesse outro mundo é preciso ser “certinho”. Sabem aquela coisa de mente quieta, espinha reta e coração tranqüilo? Bobagem. Comer cereais e ajudar velhinhas a atravessar a rua? Frescuradas. Para sonhar lucidamente não precisa nada disso.
No último sábado fomos, eu e minha mulher, para a casa dos meus cunhados e nos empanturrarmos de pizzas e docinhos. Voltei para casa depois da meia noite, escovei os dentes e caí na cama com queijo derretido saindo pelos ouvidos e... quase tive um sonho lúcido.
Senti que estava em EV, que é um estado onde se sente o corpo vibrar. Quando se sente isso, basta rolar para fora do corpo e a gente já sai voando. Coisa sensacional porque na verdade a consciência continua acesa, é como se ganhássemos superpoderes de repente. Ficamos acordados em mente e dormindo em corpo.
Só que dessa vez, a minha mulher estava dormindo me abraçando e sentiu que algo estava diferente comigo: o meu coração se acelerou e a minha respiração ficou hiperventilada. Da minha parte, dormindo, senti o meu corpo disparar como um foguete na vertical, sem limite. Como não estava indo para lugar algum, comandei para parar o vôo e comecei a dar umas cambalhotas no ar, só para me divertir. Sempre com a sensação de vibração, como se estivesse em uma daquelas cadeiras de massagens. Sempre às cegas, sem enxergar nada.
Sensação ótima, mas fiquei meio tenso, pois senti ao mesmo tempo o corpo que voava e o corpo deitado e, sabendo que estava dormindo, fiquei preocupado em ser acordado. Não deu outra: minha mulher me acordou preocupada e voltei ao meu corpo deitado na cama. Não lembro se naquela noite consegui voltar a voar.
Vale a pena ler sobre o assunto e tentar sair do corpo, pois o pequeno esforço vale a pena nem que seja pelo caráter lúdico, pois é das coisas mais divertidas que já fiz na vida. A literatura na Internet é ampla.
Ando melhorando a minha performance nos sonhos lúcidos. O Tom Cruise que se cuide!

3 comentários:

kleverson disse...

Legal. Poderia indicar sites sobre o tema que considere de qualidade ? é que geralmente encontramos esses assuntos tratados com tendências "religiosas" ou no mínimo com muita fantasia atrelada. Prefiro quando se procura manter a coisa imparcial embora não seja possível imparcialidade completa.

[]'s

Luiz disse...

Kleverson, respondo mais tarde.
Luiz.

Emilio Pacheco disse...

O Kleiton publicou um livro sobre sonhos. Já comprei, mas não li ainda. De certa forma tu respondeste a uma dúvida minha, pois eu já tive dois tipos de sonhos em que eu sabia que estava sonhando. Um foi na infância. Eu não sei se eu realmente "sabia" que estava sonhando ou se, como descreveu a mãe do Paulo, era um meta-sonho, ou seja, um sonho dentro de um sonho. Eu poderia estar sonhando que estava sonhando. E poderia "acordar" do sonho dentro do sonho. O Kleiton descreveu um sonho lúcido em que ele queria telefonar para alguém aqui no mundo real para avisar que estava sonhando. Isso prova que, lúcido ou não, era mesmo um sonho, com todas as suas fantasias malucas.

Já adulto, tive essa experiência que tu descreves como "projeção". Tirei um cochilo e me senti transposto para uma realidade virtual, consciente disso. E aí experimentei a sensação de voar. Em outra ocasião, aconteceu de novo. E aí eu trouxe uma pessoa para perto de mim e a senti ali, presente, mesmo sabendo que não era real.