quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Heróis de Dois Mundos

(obrigado, Roberto, pela sugestão de pauta)
Nós, os gaúchos, temos a figura de Garibaldi como intocável. É nome de avenidas, praças e até cidade do interior. Lutou ao lado de Bento Gonçalves pela nossa separação do resto do país, certo? É. Só que esse mercenário que queria separar o Brasil, lutou pela unificação de sua Itália, esse detalhe ninguém comenta, dois pesos e duas medidas. Ao meu ver, era um safado, canalha, aventureiro sem princípios que lutava para quem pagava mais, mas meus conterrâneos não compactuam de minha visão.
Seria apenas uma opinião pessoal e um caso histórico isolado? Que lição tiramos de Garibaldi? Devemos alimentar uma xenofobia infrutífera? Deixem eu colocar alguns dados.
O Brasil é o quinto país em área do planeta. Somos maiores do que a parte continental dos Estados Unidos. Aqui se plantando tudo dá, se não dá no sul, dá no nordeste e vice-versa. Temos chuvas abundantes e clima ameno. Um eucalipto demora curtos 7 anos para crescer em clima subtropical, sendo que o nosso papel tem potencial de ser muito mais barato do que no resto do mundo. Conseguimos duas safras por ano de uvas e outros cultivos. Temos potencial de industrialização imenso. Já tomamos a liderança mundial em setores como carne e suco de laranja. A soja brasileira é a mais competitiva do planeta. O açúcar e o álcool que despontam como riquezas do futuro estão plenamente implantados, inclusive garantidos por um mercado interno fortíssimo. Temos uma economia agrícola de escala que nenhuma outra nação da Terra possui.
Agora, pergunto. Seria uma paranóia, uma teoria da conspiração, afirmar que países europeus que estão com seus territórios esgotados e precisam plantar até à beira das estradas por centímetros a mais de um solo pobre e gelado, metodicamente nos sabotam para que esse gigante que somos não se mova ainda mais?
Por que será que países europeus patrocinam o MST? Será que é por que eles são bonzinhos ou será que uma economia de pequenas propriedades nos faria perder economia de escala em vários produtos agrícolas?
Por que será que o próprio candidato à presidência da França, José Bové veio até aqui, pessoalmente, destruir com suas próprias mãos uma plantação de soja?
Por que será que agentes provocadores europeus foram presos junto com os invasores dos laboratórios de pesquisa de celulose no Rio Grande do Sul? Será que é por amor à causa dos pobres do Terceiro Mundo ou será que esses europeus estão pensando mais nos seus próprios bolsos?
E, pergunto mais, o próprio partido do governo e o Presidente da República apóiam o MST por questões humanitárias, têm a intenção de acabar com a pobreza, ou estão simplesmente entregando o país para os grupos estrangeiros que, a que tudo indica, estão aqui para provocar o maior dano possível em nosso amado Brasil?
Desculpe a expressão chula, mas é propícia: ficar de quatro e abrir as pernas para os europeus já é do nosso feitio, pelo menos desde o tempo das guerras civis que sucederam a independência. Que eles tentam nos dividir para nos governar, também é coisa velha. Quantos Garibaldis ainda teremos que venerar para que nossa população perceba que está sendo enganada?

2 comentários:

¢em@ לאכימ דלא disse...

Um comentário quanto a determinado aspecto do seu texto: tradicionalmente, o europeu carrega consigo, latente, um componente de xenofobia disposto a "soltar a franga" em momentos de crise - social, econômica etc. - e, nestas horas, o "estrangeiro" é apontado como "o" culpado, quando não bode expiatório dos problemas vigentes ("toma os nossos empregos" e outras justificativas). Foi assim com os judeus por muito tempo e, de uns tempos pra cá, com os imigrantes.

Luiz Bonow disse...

Tudo bem, que façam isso na terra deles, Cem@, mas quando eles querem que sejamos estrangeiros a nossa própria terra, daí já muda de figura.