quinta-feira, 2 de agosto de 2007

O que eu faria se eu fosse um ditador sanguinário?

Esses tempos, li num blog, não lembro onde, a seguinte pergunta aos leitores: “O que você faria se fosse um ditador sanguinário e todo-poderoso?”
Respondo, imaginando um irreal ditador sanguinário, que pertence inexplicavelmente ao lado do bem, pensando em melhorar o seu fictício país e incapaz de usar o seu poder ilimitado para extrair vantagens pessoais. Vamos lá.
A primeira coisa seria acabar com o dinheiro cash e os cheques ao portador. Todas as transações teriam de ser praticadas com cartões de crédito ou outros meios de pagamento que deixassem rastros. Dessa maneira, seria muito mais difícil roubar ou subornar uma autoridade pública;
Estabeleceria um número único de identificação para todos os cidadãos e criaria um banco de informações acessado por biometria (leitura de partes do corpo), disponível na Internet para quem se interessar;
Acabaria com todas as empresas públicas. O Estado se limitaria aos dois poderes Judiciário e Executivo (se eu fosse ditador, como haveria de existir o Legislativo? A lei seria eu, é lógico), com uma folha de pagamento mínima;
Para a felicidade da população, reduziria os impostos e, para manter a arrecadação necessária, aumentaria enormemente o valor de multas, pois quem faz o que é errado é que deve pagar e não aquele que age corretamente. Estabeleceria multas até para cuspir no chão e implantaria um sistema de “big brother” pelas ruas para identificar os infratores;
Todos os julgamentos teriam de acontecer em três instâncias e nenhuma dessas instâncias poderia ser julgada em mais de um mês. Ao juiz que demorasse mais de um mês para promulgar uma sentença sem justificativa, eu mandaria para o paredón (um ditador sanguinário tem que ser sanguinário, lembrem-se!);
Para manter ainda a pecha de sanguinário, controlaria o crescimento populacional: implantaria a política de filho único e autorizaria o aborto. Estupradores e pedófilos seriam castrados, os demais criminosos, depois de condenados em última instância e em julgamento justo e com amplo direito à defesa, seriam executados e a bala seria cobrada da família (os chineses tiveram umas idéias sanguinárias ótimas!). Nos três meses que esperassem a sentença final, ficariam presos, mas tratados com dignidade, em celas individuais com TV e banho quente. Prisões não poderiam durar mais do que esse período, o acusado sairia dali para a liberdade ou para o fuzilamento;
Acabaria com a doação de dinheiro público para qualquer causa que fosse e implantaria um verdadeiro liberalismo. Quem quisesse dinheiro, que fosse produzir e não mamar da teta do Estado. Privatizaria até mesmo a construção de estradas e a polícia;
Declararia guerra a qualquer país mais frágil economicamente que o meu que ousasse se apropriar de forma indevida de nossas empresas localizadas em seu território e imporia pesadas taxações para pagarem pelo inconveniente;
Eu me certificaria que todas essas medidas fossem implantadas de forma irreversível, de modo que toda a população passasse a aceitá-las como naturais;
No final do período da minha ditadura sanguinária, estabeleceria que a imprensa e a liberdade de expressão fossem restabelecidas de forma plena, inclusive permitindo que se falasse sobre drogas, chutasse santas na TV, mostrasse dedo para autoridade, publicasse biografias não autorizadas, etc. Só depois disso, reestabeleceria o congresso, mas com não mais que 30 deputados, com representação proporcional à população de cada estado e com salários vinculados ao salário mínimo nacional;
Por fim, quando a coisa começasse a feder para mim, pediria exílio político para os Estados Unidos e passaria a minha velhice em um apartementinho com vista para o Central Park, admirando pela TV o grande país que teria ajudado a construir.

Um comentário:

Marcia disse...

Se fosse eu um ditador, fecharia alguns canais de TV que compartilha com absurdos do governo.