quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Resposta ao Cleverson

Terça-feira, um leitor aqui do Bonowblog, o Cleverson, fez uma pergunta sobre o texto em que eu falo sobre dimensões matemáticas e eu achei que esta resposta mereceria uma postagem própria.
Muito bem, ele perguntou se eu achava que, pelo fato de matematicamente ser possível provar que existem outras dimensões, seria possível que algo de nós sobreviva após a morte.
Cleverson, claro que tudo que eu afirmar será na base do chutômetro, pois nunca morri, mas como há milhões de religiosos ganhando muita grana com a ingenuidade alheia, não deve ser muito imoral eu especular sobre o que eu não sei patavinas. Vamos ao que eu acho: isso é, nada de científico, certo ou absoluto, combinado? Outra coisa, estou despejando aqui uns 30 anos de minhas elucubrações nesse sentido, portanto, leitores, leiam antes o texto de terça-feira (Histórias Bizarras 6 – Dimensões, Parte 1) e o texto “Inteologia” logo mais abaixo também para não cair, assim, tão de sopetão nessas idéias. Aconselho também a dar uma procurada no Google ou na Wikipedia em “fractais”, quem não souber do que estou falando.
Em primeiro lugar, do meu ponto de vista a palavra “dimensão” é algo matemático, para definir distâncias. Como eu já disse no texto, existe mono, bi e tridimensionalidade. E tetra e poli dimensionalidade também. Só que isso não quer dizer que essa definição se aplique às coisas da percepção cerebral.
Quando um yogui fala que consegue perceber o seu duplo etérico (eu consigo fazer isso, é fácil pacas, uma hora dessas eu ensino aos meus leitores), não tem nada a ver com física quântica ou fractais aplicados à computação gráfica. Dimensões para um inteogenista, significam níveis conscienciais, penso que isso não é o mesmo que para um matemático. Em outras palavras, cérebro é uma coisa, o mundo físico, outra.
Uma coisa de filosofia oriental barata que devemos levar em consideração é que talvez não seja o mundo físico que cria a nossa consciência, mas a nossa consciência que cria o mundo físico. Exemplo prático: não é possível estar em dois locais ao mesmo tempo, dentro do meu computador, cada informação, ou é “um” ou é “zero”, certo? Sim e não. Os cientistas estão abrindo caminho para um computador quântico que ao mesmo tempo será “um” e “um” e “zero”. Eu não me surpreenderia que daqui a trezentos anos existissem cruzamentos de ruas em que os carros passassem uns pelos outros como em filmes sobrepostos, sem sinal verde ou vermelho, mas semáforos quânticos, dois corpos ocupando o mesmo lugar ao mesmo tempo. Por que não? É possível, sim, tecnologia evolui, apesar de ser incompreensível para nós, comuns dos mortais que não estudam física quântica.
Se criamos nosso mundo, talvez nosso cérebro possa criar um mundo polidimensional também. Vejam, queridos leitores, Um mundo polidimensional não será um mundo com fractais coloridos e hipercubos, não é isso que estou dizendo, da mesma maneira que não nos deparamos com cubos e octaedros andando pela rua, essas são criações humanas, geométricas, matemáticas. O mundo real é muitíssimo mais rico do que isso. Criar uma equação matemática que represente uma simples folha já é coisa para gênio da matemática, o que se dirá de uma paisagem?
Portanto, talvez aumentando a nossa percepção do mundo possamos nos transportar, não para um mundo de geometria, de matemática, polidimensional, mas de polidimensionalidade de fato que vai parecer complexo como o nosso, mas com leis de física completamente diferentes. E não esqueçamos que iremos para esse mundo com o mesmo “hardware” para sobreviver em um mundo apenas tridimensional, isso é, seremos cegos, surdos, mudos, sem tato e sem paladar, umas verdadeiras amebas polidimensionais.
Se é isso que acontece depois da morte? Não creio.
Talvez lendo este blog, muitos pensem que sou espírita, mas não acho que nenhuma religião esteja certa. Prefiro Shakespeare a Kardek, há muito mais por aí do que sonha nossa vã filosofia.
Cleverson e demais leitores, não esgotei o assunto e devo ter deixado mais dúvidas ainda do que quando comecei a explicar, mas volto logo ao tema, prometo. Temos muito pano prá manga.
Infelizmente, não tenho a resposta última para o sentido da existência. Os padres, os pastores, os dervixes, os bonzos e os rabinos, dizem que têm, mas cobram uma grana para revelar...


Um comentário:

kleverson disse...

Valeu pela atenção Luiz. Também estou apenas elucubrando e especulando. Aliás acho que nem precisamos dizer isso, pois o teu blog certamente atrai bons leitores e para bom entendedor...

Vamos ver se entendi: A questão de continuidade ou não da existência após a morte teria então a ver não com as dimenções matemáticas, mas com a consciência e a percepção. Se é a consciÊncia que cria o mundo físico, as perguntas seriam: a consciência depende do mundo físico ? Existia antes e continuará depois dele, mesmo com a morte cerebral ?

Sim, muita gente cobra uma grana para revelar as respostas e mesmo assim não revelam. Os que não cobram também não chegaram à última resposta, logo, de qualquer modo é melhor não pagar.

Abraço
Cleverson