segunda-feira, 29 de outubro de 2007

CPMF, de novo.

Semana passada, eu escrevi sobre como ninguém discute o corte dos gastos públicos, ao invés disso ficam discutindo sobre a necessidade ou não de impostos.
Relendo o texto, acho que não esgotei o assunto. Tem uma coisa que vale a pena mencionar e que peço aos meus leitores não me jogarem tomates antes de eu terminar.
Sou a favor da CPMF. Pior: sou a favor de aumentar a CPMF! Pior ainda: para 25%!
Em tempo: desde que acabem com os outros impostos e pedágios!
Repito. Desde que acabem com os outros impostos e pedágios!
Controlar a movimentação financeira é a forma mais justa de arrecadar. Ganhou, pagou. Simples.
Acho que seria um negocião para os homens de bem desse país, já que pagam 40% de tudo o que recebem.
É claro, que nem todos têm interesse. Para quem tem negócios escusos, deixar que a Receita Federal tenha um parâmetro do que está passando pela sua conta bancária, é um estorvo tremendo. Bandidos detestam a CPMF por motivos óbvios.
Quase todos os servidores da Receita teriam de ser postos em disponibilidade. Com um imposto único, daria para reduzir a máquina de arrecadação ao quê? Três? Dois por cento da atual? O custo do Estado ficaria muito menor.
Sonegadores de impostos em geral também detestam a idéia da CPMF, pois é difícil de negar um determinado montante aparecendo na própria conta bancária.
Iria surgir uma moeda paralela, composta de cheques endossados, alegariam alguns. Ora, contra isso, bastaria proibir o endosso de cheques, só valeriam cheques nominais, o dinheiro sairia de uma conta para outra, sem escalas intermediárias. O problema me parece simples de resolver.
Portanto, que fique bem claro, não é que eu seja contra a idéia de um imposto único sobre movimentação financeira. Sou apenas contra o inchaço do Estado e a corrupção.
Aliás, nesse país nem é bom falar muito dessas idéias porque senão daqui a pouco algum legislador vai inventar de manter todos os impostos altos como estão e ainda aumentar a CPMF... para 25%. E ainda dizer que foi o Bonow quem falou.

3 comentários:

kleverson disse...

um O governo é que nem indústria farmacêutica: quanto mais remédio, mais efeitos colaterais e mais remédio necessário pra gerir os efeitos colaterais e criar outros efeitos colaterais.

Se diminuíssem muitos impostos, pode ser que nos primeiros anos o governo arrecadasse menos, mas depois, muita gente que hoje está na informalidade iria se legalizar, muitos empresários investiriam mais, etc., e todos esses passariam a pagar impostos. No fim o governo voltaria a arrecadar o mesmo de antes, com a vantagem de mais gente na economia investindo para melhorar as coisas ! não acha ?

Luiz disse...

Kleverson,
Outra proposta que eu tenho é acabar com o dinheiro “cash”, isto é, fazer que toda e qualquer transação financeira passe de uma conta bancária para outra, sem o uso de um meio físico.

Quais seriam as conseqüências de tal tecnologia, posto que todo o dinheiro poderia ser trilhado com origem, destino e escalas em cada vez que fosse negociado?
- Traficantes não mais poderiam vender drogas, pessoas, armas ilegais ou qualquer mercadoria ilícita. Grandes máfias seriam extintas;
- Acabaria a corrupção no meio político;
- Fundos sociais não mais poderiam ser desviados de contas públicas;
- Empresas não mais poderiam ser lesadas;
- Impostos não poderiam ser sonegados;
- Financiamentos a terrorismo poderiam ser trilhados;
- “Caixa dois”, corrupção de policiais e outros funcionários públicos, subornos, e outros pesadelos atuais poderiam ser eliminados.
Enfim, tudo aquilo em que se pensar de errado do mundo ocasionado pela existência de dinheiro “cash” poderia se tornar coisa do passado.

kleverson disse...

Interessante. é algo a refletir e debater, sem dúvida.